
Foto: Arte SECOM
Educação em saúde, notificação de casos e colônia de férias para crianças e adolescentes estão entre as estratégias.
A Prefeitura de Macaé, através da Secretaria Adjunta de Atenção Básica em Saúde, inicia neste mês a campanha ‘Janeiro Branco’, dedicada à conscientização da população sobre a importância da saúde mental e emocional. Ações de educação em saúde, com a distribuição de material informativo, serão intensificadas. A campanha também reforçará a relevância da notificação dos casos pelas unidades da Saúde Municipal, para o melhor conhecimento da situação territorial, a fim de garantir direitos e fortalecer as políticas públicas do setor. A Prefeitura também oferecerá a colônia de férias Conviver Feliz, voltada ao público infanto-juvenil.
A campanha ‘Janeiro Branco’ integra o calendário de eventos de setores da Secretaria Adjunta de Atenção Básica, como a Gerência de Saúde Mental e a Área Técnica da Vigilância e Prevenção de Violências e Acidentes. A Vigilância, que dá suporte a Rede de Atenção à Saúde continuamente, intensifica suas ações neste período, cujo lema é ‘Janeiro Branco’: cuidar da mente é também prevenir violências. O sofrimento psíquico, quando invisibilizado ou negligenciado, pode agravar situações de conflito, vulnerabilidade e risco.
A proposta do setor é incentivar na população o autocuidado, estimular o diálogo e contribuir para a construção de relações mais saudáveis e seguras. A enfermeira da Área Técnica de Vigilância e Prevenção a Violência e Acidente, Rachel dos Santos, ressalta que há estudos que relacionam saúde mental à violência, mas isso não acontece de forma automática. Ela explica que sofrer violência (doméstica, na infância, inclusive urbana/comunitária, como roubo frequente) está fortemente associado a problemas de saúde mental, como depressão, ansiedade, Transtorno de Estresse Pós-Traumático e outros sintomas psicológicos. Ela ressalta que violência na infância aumenta o risco de sofrimento psíquico ao longo da vida.
“Pessoas com transtornos mentais têm maior risco de serem vítimas de violência, mais do que de praticá-la. A maioria das pessoas com transtornos mentais não é violenta. Associar doença mental à violência é um erro e reforça estigma. Quando há maior risco de comportamento violento, geralmente envolve outros fatores, como uso de álcool/drogas, histórico de violência, crise aguda e vulnerabilidade social — não o transtorno isoladamente. Porém um transtorno mental aumenta consideravelmente as chances de tentativas de suicídios. A violência é um importante fator de adoecimento mental. A saúde mental deve ser vista principalmente como campo de cuidado, proteção e prevenção, não como causa direta da violência. Janeiro é o mês de lembrar que cuidar da mente é tão importante quanto cuidar do corpo”, destaca Rachel.
Entre as pesquisas neste campo, a enfermeira ressalta a do Projeto Pessoas, realizada com 2.475 pacientes em serviços públicos de saúde mental. Ela aponta que 82% das mulheres relataram ter sofrido violência alguma vez na vida; 63% informam violência verbal, 58% violência física, e 27% violência sexual (com variações por gênero). Segundo ela, esta alta prevalência mostra que, entre pessoas com transtornos mentais em tratamento, experiências de violência são muito frequentes, o que corrobora a conexão clínica entre trauma/violência e sofrimento mental.
A Gerente de Saúde Mental, Lorrane Moreira, reforça que, conforme a Organização Mundial da Saúde, a saúde mental deve ser promovida em seu conceito ampliado, bem-estar físico, mental e social. Nessa perspectiva, para além dos serviços ofertados pelo Sistema Único de Saúde, crianças, jovens, famílias e trabalhadores devem acessar os equipamentos disponibilizados pela rede intersetorial, nos âmbitos da educação, esporte, cultura e lazer.
“O acesso à saúde física e mental é promovido mediante articulação em rede. Nas Estratégias de Saúde da Família e Unidades Básicas de Saúde, bem como nos Centros Especializados voltados à população infanto-juvenil, idosa, pessoas com deficiência, entre outros, Macaé dispõe, para além das equipes médica e de enfermagem, equipes multiprofissionais compostas por psicólogos, assistentes sociais, fisioterapeutas, nutricionistas e demais profissionais. Tais equipes realizam escuta qualificada, atendimentos individuais e grupais, visando fortalecer os vínculos comunitários, propiciar ações de promoção e prevenção em saúde, além de ofertar educação em saúde”, informa Lorrane.
Os serviços municipais vinculados à Gerência de Saúde Mental, funcionam em regime de portas abertas para atendimento à população. São eles: Núcleo de Saúde Mental; Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (Capsi), para crianças e adolescentes; Caps Betinho, para adultos, e Caps AD, para questões relacionadas a álcool e outras drogas. Adicionalmente, há espaços como o Centro de Convivência, que viabiliza a socialização entre distintos grupos e a prática terapêutica mediante arte e música.
Colônia de férias Conviver Feliz
Para a campanha ‘Janeiro Branco’, a equipe da Gerência de Saúde Mental, em parceria com o Centro de Convivência Benedito Lacerda, ofertará a colônia de férias Conviver Feliz, voltada ao público infanto-juvenil em resposta aos elevados índices de sofrimento psíquico identificados nesta faixa etária. Lorrane frisa que estudos científicos demonstram que a vivência de violência doméstica na infância e juventude constitui fator de risco significativo para o desenvolvimento de psicopatologias.