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Equipe do CTO realiza visita técnica em Macaé

10/07/2009 09:30:43 - Jornalista: Genimarta Oliveira

Dentro das diretrizes da reforma psiquiátrica, que vem substituindo progressivamente o modelo hospitalocêntrico e manicomial, a secretaria de Saúde de Macaé (Semusa) está implementando mais um dispositivo de atendimento aos usuários da saúde mental. O Teatro do Oprimido, que tem como objetivo estimular a participação ativa e protagônica das camadas oprimidas da sociedade, visa a transformação da realidade a partir do diálogo e através de meios estéticos.

Durante esta semana, a coordenadora do Pólo do Rio de Janeiro, Cláudia Simone, e o integrante da equipe do Teatro do Oprimido, Alessandro Conceição, estiveram em Macaé realizando uma visita de apoio aos grupos. Depois de participarem de duas etapas do curso, os profissionais da saúde, juntamente com os usuários estão elaborando os textos da peça que será encenada em novembro.

- Este é um momento de multiplicação do processo de criação de cena, partindo da vivência e do olhar de cada integrante. Lembrando que, o espetáculo aborda assuntos sérios, de forma lúdica, onde os atores têm um distanciamento da questão e, ao mesmo tempo, podem ver a realidade e iniciar um processo de transformação, inclusive da sociedade sobre aquele assunto - revela Cláudia, lembrando que Centro de Teatro do Oprimido (CTO) desenvolve projetos na área da educação, saúde mental, sistema prisional, pontos de cultura, movimentos sociais, comunidades, entre outros.

Cláudia acrescenta que ao longo dos anos, desde a criação do Centro do Teatro do Oprimido foram constatadas transformações sociais através do teatro. “A diminuição no número de internação e as mudanças na relação com a família e a comunidade é uma realidade, a partir da participação no teatro”, disse.

Alessandro ressalta que a montagem do espetáculo, desde a criação do texto dramatúrgico, definição do cenário, figurino, iluminação é tudo produzido pelos integrantes do grupo do Teatro do Oprimido. Em Macaé, além do Centro de Atenção Psicossocial (Caps), mais dois grupos foram implementados, sendo um no Programa de Atenção Integral a Saúde do Idoso (Paisi).

Eles elogiaram a iniciativa da secretaria de Saúde de Macaé, em implementar o Teatro do Oprimido e inclusive inserir profissionais de outras áreas na capacitação, o que está proporcionando uma disseminação do projeto para outros segmentos da sociedade. “É importante lembrar que sem o apoio da secretaria de Saúde Macaé, do Ministério da Saúde e da Coordenação Nacional de Saúde Mental, não seria possível desenvolver este projeto”, disseram.

O Teatro do Oprimido foi desenvolvido pelo teatrólogo brasileiro Augusto Boal, indicado ao prêmio Nobel da Paz deste ano, por ter realizado trabalho com pacientes portadores de distúrbios mentais, utilizando a expressão artística como forma de expor conflitos e angústias vividos pelos pacientes. Em todo o país, cerca de 170 pessoas já foram capacitadas.

O secretário de Saúde, Eduardo Cardoso, lembra que a rede municipal de saúde conta com diversos dispositivos na área de assistência terapêutica em saúde mental. Os centros de atenção psicossocial compõem esta rede que consiste no atendimento ambulatorial de atenção diária ampliada, que envolve todos os aspectos do indivíduo, tendo como princípio a sua inserção na sociedade.

Conferência - De 20 até 26 de Julho acontece, no Rio de Janeiro, a 1ª Conferência Internacional de Teatro do Oprimido. O evento é um tributo a Augusto Boal e um marco histórico para a continuidade de sua obra, tendo como objetivos: ratificar os fundamentos políticos, filosóficos, estéticos e pedagógicos do Método do Teatro do Oprimido; analisar o impacto da aplicação do Método em diferentes áreas temáticas, nas diversas regiões do mundo; estimular a reflexão sobre o Movimento Internacional de Teatro do Oprimido e as perspectivas de sua organização; estruturar o Encontro Internacional que acontecerá, em Julho de 2010, em Belém, dentro do Congresso Mundial IDEA.

Vinte e cinco países e 16 estados brasileiros participam da conferência que ocupa três espaços no Centro do Rio. Representantes da Austrália, Israel, Palestina, Nepal, Paquistão, Índia, Suécia, Holanda, Áustria, Alemanha, Inglaterra, França, Itália, Espanha, Portugal, Senegal, Guiné-Bissau, Sudão, Moçambique, Angola, Canadá, EUA, Porto Rico, Argentina, Uruguai e Brasil integram os painéis de discussão sobre o impacto do Teatro do Oprimido em diferentes áreas temáticas (cultura, política, educação, saúde, direitos humanos e zonas de conflito) e regiões do mundo. Ao final dos trabalhos haverá uma discussão a respeito dos desafios para o desenvolvimento de projetos locais e planejamento de ações de cooperação internacional.