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Exposição “Marca que Não se Apaga” traz reflexão sobre memória e resistência do negro no Brasil

28/11/2025 18:05:00 - Jornalista: Equipe SECOM

Foto: Arquivo SECOM

Obras são do artista Bernardo Beraldini

O trabalho do artista Bernardo Beraldini “Marca que Não se Apaga”, em exposição, na Galeria Hindemburgo Olive traz uma reflexão sobre a permanência, a resistência e a memória do povo negro no Brasil. As cerca de 10 telas e esculturas de plástico, se misturam a correntes simbólicas, que mostram como a escravidão marcou gerações, mas também como essas mesmas correntes hoje se ressignificam.

Segundo o artista, a exposição parte da ideia de que a história do povo negro não é feita apenas de dor, mas também de força e permanência.

“Cada obra conta um pedaço da trajetória de dor, fé, apagamento e renascimento. As marcas deixadas pela escravidão, pela violência e pela perda não desaparecem — elas se transformam em força, identidade e caminho”, analisa.

Bernardo reforça que a Consciência Negra, para ele, é um compromisso com a verdade, a ancestralidade e a representatividade. “Venho de histórias que atravessam minha família e minha cidade, Macaé, e uso a arte como voz para aquilo que muitas vezes não é dito. Procuro mostrar que o povo negro carrega não só cicatrizes, mas também sabedoria, espiritualidade e beleza que sobreviveram a tudo”, acrescenta.

O artista ainda detalha os materiais e técnicas que utiliza: acrílica sobre tela, texturas em massa, barro, bambu, galhos naturais, sisal, cordas e correntes oxidadas. De acordo com ele, essas escolhas não são apenas estéticas. “Esses materiais carregam história. Quero que cada obra funcione como um espelho e uma ferida aberta ao mesmo tempo: lembrando o que foi vivido, mas também mostrando a força que permanece. A história do povo negro não deve ser romantizada nem esquecida; ela precisa ser reconhecida em toda a sua complexidade”, conclui.


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