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Palestra sobre combate ao racismo tem participação recorde do curso

29/03/2008 14:58:36 - Jornalista: Grazielle de Marco

Impressionante e muito esclarecedora. Assim foi descrita, por muitos dos que estavam presentes, a palestra da historiadora Wania Sant´Anna, realizada na noite desta sexta-feira (28), no auditório do Sindipetro. O tema “Discussões públicas sobre o combate ao racismo e visões de enfrentamento – o desenvolvimento contemporâneo das ações de combate ao racismo no Brasil”.

Dezenas de pessoas estiveram presentes ao evento, entre eles o presidente da Fundação Educacional de Macaé (Funemac), Joelson Tavares, o secretário Especial de Desenvolvimento regional, Jorge Aziz, e a presidente da Fundação Macaé de Cultura, Conceição de Maria.

Wania - historiadora, pesquisadora de relações raciais e de gênero, já foi secretária de Direitos Humanos do Estado do Rio de Janeiro e realiza consultoria em diversidade social na Petrobras - iniciou a palestra parabenizando a Funemac pela decisão de ter investido na ampliação do curso de formação de História da África. Para ela, espaços como este são importantes para que as pessoas possam possam estar juntas discutindo soluções para problemas sociais como o do preconceito e a disparidade social entre brancos e negros.

O discurso de Wania foi baseado em uma análise do histórico das idéias do preconceito racial, destacando ações e análises que tem sido levadas a público, e assinalar estratégias possíveis de combate. Para tal, a pesquisadora apresentou um histórico, que iniciou com as críticas do movimento negro à falta de dados estatísticos sociais com recortes raciais. Segundo ela, esta crítica era voltada principalmente ao IBGE. Uma vez que os dados do instituto são utilizados pelo governo na elaboração de políticas públicas, esta falta de informação, dificultava o combate às desigualdades. O movimento negro necessitava deste dados, que comprovam o dia-a-dia de dificuldades e preconceitos vivenciado por seus integrantes.

De acordo com ela, até hoje é tímida a divulgação das estatísticas oficiais brasileiras, sendo esta feita através da síntese de indicativos sociais, que dedica um de suas seções a indicativos com recorte de cor e raça. No entanto, Wania ressalta, desconhece-se que estes sejam levados em consideração na elaboração de políticas públicas voltadas aos afro-descendentes. Além disso, ela lembra que os indicativos de mercado, com recorte racial realizado pelo Dieese, é pouco comentado e divulgado.

- Saltam aos olhos diferenças de bem estar entre os grupos. Estamos falando de 48% da população que precisam que políticas públicas sejam desenvolvidas no sentido de diminuir as disparidades sociais para que no futuro, políticas universalistas também os atinjam, afirmou.

Ela lembrou então, no contexto do silêncio com relação aos problemas sofridos pelos negros, o silêncio da sociedade com relação aos mais de 120 anos do fim da escravidão, em comparação ao alarde feito em comemoração à chegada da Corte no país.

- O passado de mais de um século desde o fim da escravidão deveria ser o suficiente para que os afrodescendentes pudessem superar as diferenças. Mas isto não ocorreu em parte por causa da forma como foi abolida a escravidão em nosso país. Tínhamos uma série de regras, leis e comportamentos estabelecidos tendo em conta o trabalho escravo e a marginalização desta população. No entanto, a chamada Lei Áurea, utilizando apenas 17 palavras, dá fim a este regime, e nada mais é feito no sentido de promover a igualdade para esse grupo de milhões de pessoas que habitavam o Brasil, completou.

O coordenador do curso de pós-graduação em Diáspora Africana finalizou agradecendo a presença de todos e comentando que até o fim deste ano serão realizadas cerca de 10 palestras.