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Pesquisa sobre religiões afro está em andamento

28/03/2008 14:51:24 - Jornalista: Alexandre Bordalo

A coordenadoria do Programa Macaé Cidadão está realizando o primeiro mapeamento dos terreiros de umbanda e candomblé no município de Macaé. O objetivo do trabalho de campo feito por dez pesquisadores do programa é conhecer as principais demandas dos umbandistas e adeptos de candomblé, quando serão observadas as estruturas física e administrativa dos centros espíritas.

A pesquisa acontece em atendimento à solicitação da Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde, recebida na cidade pela Coordenadoria de Políticas e Promoção da Igualdade Racial (Corafro), órgão da prefeitura de Macaé.

- É meta desse mapeamento tornar visíveis os terreiros, tirando-os do anonimato e proporcionando aos governos federal, estadual e municipal condições favoráveis para a implementação de políticas públicas para os integrantes desta esfera religiosa – contou a coordenadora geral do Programa Macaé Cidadão, Amélia Augusta Guedes.

Segundo a coordenadora de Pesquisas Econômica e Cultural do Programa Macaé Cidadão, Vera Lúcia Castanheira, responsável pelo mapeamento, desde segunda-feira (24) até sexta-feira (28) foram identificados 48 locais de culto no município. “Entretanto, mais endereços serão repassados pela Rede Nacional de Religiões e Saúde e pela Corafro, a fim de abranger todos os terreiros de umbanda e candomblé em Macaé. Nossos pesquisadores irão a todos os locais onde se reúne este público-alvo”, lembra.

Além disso, ela diz que os pesquisadores são bem recebidos pelos zeladores dos terreiros, que compreendem a finalidade da pesquisa. Um exemplo dessa empatia acontece com o diretor de culto e presidente do Centro Espírita Kwe Ceja Ni Ké, José Luiz Nunes. De acordo com ele, que atua diariamente na religião na Avenida W1, no bairro Lagomar, já era tempo de os administradores públicos agirem em prol dos umbandistas e adeptos do candomblé.

- Nossos orixás são da natureza, quando vamos às cachoeiras e praias somos proibidos de realizar os cultos, mesmo preservando o meio ambiente. Precisamos de espaço propício e livre para freqüentar e exercer nossa religiosidade. Além disso, há casos de desrespeito e intolerância religiosa contra nós – afirma José Luiz Nunes.

O Centro Espírita Kwe Ceja Ni Ké realiza festinhas para as crianças, oriundas de famílias de baixo poder aquisitivo do bairro. “Distribuímos anualmente cerca de 250 cestas básicas, além de prestarmos assistência, com apoio psicológico e social, a ex-dependentes químicos, encaminhando-os para inserção na sociedade”, conta. Ele acrescenta que o Centro proporciona aulas de afoxé (cursos de percussão e dança).