Prefeito busca solução para retirada do pátio de manobras

Mar 29, 2005 7:11:14 PM - Jornalista:

Estudo projeta transferência da linha férrea para área fora da região central. Inspeção técnica reuniu equipes do Ministério dos Transportes e da Ferrovia Centro Atlântica.

O prefeito Riverton Mussi realizou nesta terça-feira, dia 29, inspeção técnica ao longo dos 20 quilômetros de linha férrea que cortam o município, acompanhado de técnicos do Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (Dnit), da rede ferroviária e da Ferrovia Centro Atlântica (FCA). O objetivo da visita foi iniciar o projeto da retirada do pátio de manobras do Centro e da transferência da linha férrea.

A equipe técnica fez o reconhecimento da linha férrea utilizando um auto-de-linha – composição específica para transporte de passageiros em ferrovias - e sobrevoou a área cortada pela linha férrea e em possíveis áreas para receber a transferência da linha. Os técnicos estão estudando as possibilidades de realização de obras para amenizar o impacto que hoje o tráfego ferroviário causa à população.

As principais reclamações de quem tem que atravessar a linha férrea são os constantes engarrafamentos provocados pelas composições estacionadas no Centro. Pais reclamam que os filhos chegam atrasados à escola, funcionários se queixam que quase sempre chegam tarde aos trabalhos e muitos temem acidentes de grandes proporções, já que os vagões carregam material inflamável.

De acordo com o prefeito, uma possível solução em estudo seria realizar uma obra de transferência da linha férrea para fora do município, utilizando uma área distante do Centro da cidade em aproximadamente 17 quilômetros, em Cabiúnas, margeando a BR-101. O pátio de manobras, segundo esta possibilidade, também seria transferido para Cabiúnas, nas proximidades onde será construído o Pólo Industrial. “Nosso objetivo é aliviar a cidade das conseqüências do tráfego ferroviário e para isso, defendemos a idéia de fazer a obra de contorno da linha fora da área central”, explicou.

Com a linha sendo transferida para Cabiúnas - fronteira com Carapebus -, a estrutura férrea deverá se unir com a linha já existente nos limites entre as cidades e seguir para Campos, como já acontece. O mesmo projeto contempla a construção de um ramal ferroviário para atender ao Pólo Industrial e ao Porto Seco, que serão instalados em Cabiúnas. A idéia é construir também um ramal em Imboassica para atender o transporte de óleo da Petrobrás até Imbetiba.

Desta forma, o trecho da linha férrea que corta Macaé entre a divisa de Rio das Ostras e a divisa de Carapebus seria completamente transferido, aliviando o trânsito, principalmente nas áreas centrais e garantindo maior segurança à população. “Com a transferência da linha férrea, vamos aproveitar o mesmo trajeto para implantar uma via de acesso com um transporte rodoviário coletivo, o ligeirinho, ligando o norte e o sul de Macaé”, informou o prefeito.

As comunidades de Miramar e Visconde foram citadas pelo prefeito como as que mais sofrem com as manobras realizadas pelos trens no pátio, na Avenida Fábio Franco, margeando a Linha Vermelha, no trecho entre o supermercado ABC e a antiga estação ferroviária. “Estamos trabalhando intensamente para agilizar a retirada do pátio e aliviar os moradores de Visconde e Miramar. Temos o projeto pronto para a retirada do pátio e estamos buscando dar maior segurança aos moradores e fluidez no trânsito”, frisou.

Cerca de 90% dos vagões que trafegam pela linha férrea estão carregados de óleo diesel, utilizado para atender as plataformas, levando para o píer da Petrobras. Segundo Riverton, a lei fixa em 20% a contrapartida do município para a realização dessas obras no município. A retirada do pátio e a transferência da linha estão avaliadas entre R$ 30 a R$ 50 milhões, conforme a escolha do projeto a ser executado. O montante de 80% seria de recursos a serem buscados na União. “Será preciso um trabalho em conjunto entre prefeitura, Petrobras, FCA e União”, contabilizou.

O coordenador geral Ferroviário do Dnit, José dos Passos Nogueira, afirmou, após a vistoria técnica, que as obras em Macaé devem ser de adequações e de retirar o pátio de manobras. “Podemos dizer que hoje (ontem) é o começo efetivo das obras para resolver esse problema em Macaé porque toda obra começa pelo projeto. Foi fundamental fazermos a vistoria para obtermos uma visão ampla e ter leitura crítica da situação. Concluímos que é recomendável a retirada do pátio de manobras do Centro”, destacou Nogueira.

A vistoria técnica realizada pelo Dnit foi conduzida após encontro do prefeito com o Ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, no início do mês, intermediado pelo deputado federal José Divino (PMDB). Nogueira ressaltou que pela proporção de Macaé, é preciso que alguma intervenção seja realizada para eliminar o conflito entre tráfego ferroviário, rodoviário e o pedestre. “Estamos conhecendo o que existe e vamos estudar alternativas para Macaé e definir qual é a melhor tecnicamente”, observou.

O coordenador ferroviário comentou que em algumas cidades, as obras realizadas para minimizar o impacto do tráfego ferroviário são as passagens superiores e inferiores, ou seja, viadutos para tráfego rodoviário, passarelas para pedestres e mergulhões. “Mas devido o nivelamento de Macaé, não cabe a obra do tipo travessia inferior”, disse, não descartando a obra de contorno da linha fora do município.

O secretário de Governo, André Braga, destacou que o município vai estabelecer um cronograma de ações junto ao Ministério dos Transportes e ao Dnit para resolver definitivamente o problema. “Vamos trabalhar tecnicamente para resultar em ações efetivas que darão a solução”, assinalou.

De acordo com o chefe de escritório da rede ferroviária de Campos, Sérgio Costa, deverão ser listadas as alternativas para resolver o impacto do tráfego ferroviário. “A rede está interessada na retirada do pátio e da linha. A rede é a dona da linha férrea, a FCA é a operadora. Como há o interesse da prefeitura, vamos estudar as alternativas e iniciar os projetos para as obras”, detalhou.