
Foto: Ana Chaffin
Ensemble Vozes Entretom reúne 31 cantores em apresentação marcada pela diversidade de experiências e pela harmonia do conjunto no Festival QualiTeclas em Cena
Uma experiência vocal viva, expressiva e marcada por diferentes nuances sonoras. Foi com essa proposta que o Ensemble Vozes Entretom subiu ao palco do Teatro do Sindipetro-NF, em Macaé, nesta quinta-feira (1º), como um dos destaques do Festival QualiTeclas em Cena, realizado em comemoração ao Dia Internacional da Música. A programação também contou com a participação do pianista J.V. Aprígio e de alunos da QualiTeclas Escola de Música, reunindo diferentes experiências e momentos da formação musical.
Regente convidado da apresentação, Jardél Màia explica que o trabalho desenvolvido pelo Ensemble vai além do canto. Sucesso como “Desde Que o Samba É Samba" de Caetano Veloso, “Encontros e Despedidas”, de Milton Nascimento e “Samba do Avião”, de Tom Jobim, foram apresentadas pelo grupo nesta noite.
“Entregamos um repertório que toca e emociona levando o melhor da música popular brasileira. O que torna este encontro especial no Festival QualiTeclas em Cena é a convergência entre a arte do piano/teclado e o instrumento humano na sua forma mais pura: o coletivo de vozes”, pontua Jardél, acrescentando que levar o Ensemble para esse ambiente fortalece o diálogo entre a precisão instrumental e a organicidade do canto em grupo.
“Trabalhamos fundamentados no canto. A preparação envolve desde o alinhamento técnico até a homogeneidade dos naipes, preservando a identidade tímbrica de cada cantor”, esmiuçou.
“Buscamos peças que valorizem a amplitude dinâmica do grupo — dos momentos de absoluta delicadeza e pianíssimos ressonantes até as grandes explosões polifônicas. Cada arranjo foi pensado para desafiar a percepção harmônica do grupo e, ao mesmo tempo, oferecer ao ouvinte um percurso emocional fluido e impactante”, ressaltou.
“O palco é a extensão definitiva da sala de aula. Para o estudante em formação, a vivência de palco no contexto de um festival não é apenas a exibição de um aprendizado, mas a consolidação da sua presença artística e do seu domínio técnico sob exigência real”, citou.
“O aluno observa na prática como o artista mais experiente gerencia a afinação, o fluxo respiratório, a sustentação do suporte diante da ansiedade e a comunicação com a plateia. Essa troca desmistifica o fazer musical e acelera o amadurecimento técnico e emocional do jovem cantor”, explicou.
“Um grupo composto exclusivamente por estudantes pode carecer de peso e consistência técnica; um grupo composto apenas por profissionais maduros pode, por vezes, perder o frescor da descoberta. A junção dessas duas pontas gera um equilíbrio único”, avaliou.
“Sob a regência, o trabalho é canalizar essas 31 identidades sonoras em um único corpo vocal equilibrado, onde a maturidade guia e o entusiasmo impulsiona, resultando em uma massa sonora refinada e cheia de vida. Eu particularmente adoro trabalhar com essa diversidade”, comemorou.
“Projetos que conectam ensino, prática artística e comunidade são o verdadeiro motor de transformação cultural de um município”, afirmou.
“Quando a formação de base se encontra com o palco e com a comunidade, a música deixa de ser mero entretenimento e passa a cumprir sua função social e humana mais profunda”, enumerou.