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Entre medalhas e sonhos, atletas de Macaé fazem da superação sua maior vitória

09/09/2026 12:00:00 - Jornalista: Carla Cardoso

Foto: Divulgação

Atletas da APAE e do CESMA representam Macaé em competições e transformam desafios em experiências de superação

Inspiração, coragem e superação. Os atletas da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) e do Centro de Surdos de Macaé (CESMA) sabem muito bem o significado dessas palavras. No último fim de semana, eles representaram o município em duas importantes competições: a Olimpíada da Pessoa com Deficiência (Olimped), em Volta Redonda, e a Copa do Brasil de Futsal de Surdos, em Vitória, respectivamente. Na bagagem, além de medalhas e premiações, trouxeram a sensação de dever cumprido, novas experiências e a vontade de voltar ainda mais fortes para os próximos desafios.

Na Olimped, os atletas da APAE conquistaram medalhas de ouro no atletismo, na natação, no taekwondo e no dominó. A delegação também alcançou outras importantes colocações, entre elas segundo lugar na capoeira, no vôlei especial, na natação, no dominó e no taekwondo; quarto lugar no salto em distância e no arremesso de peso.

Com apoio da Prefeitura, a coordenadora da instituição, Iza Santana, acredita que, quando o poder público abraça uma causa com sensibilidade, o resultado é capaz de transformar vidas.


“Lá, eles não eram assistidos da APAE. Eram atletas em busca da sua melhor versão, mostrando a capacidade máxima de cada um. As medalhas só confirmam o que sempre soubemos: quando damos espaço e oportunidade para o protagonismo, o talento supera qualquer limitação. Foi emocionante do início ao fim. Eles viveram a experiência completa de ser um atleta: a rotina no hotel, a ansiedade antes das provas, a torcida vibrando e os aplausos no pódio”, destaca.



A Coordenação-Geral de Políticas para Pessoas com Deficiência, de Macaé, conhece de perto a importância da APAE e do CESMA na construção e promoção de políticas públicas fundamentais no município.


“A participação da APAE na OLIMPEDE e do CESMA no Campeonato Brasileiro de Futebol de Surdos, vai muito além das quadras. Independentemente do resultado final, ver nossos atletas competindo em alto nível é uma vitória gigante no combate ao capacitismo, provando que o esporte é um direito de todos. Estar nessas competições transforma vidas, eleva a autoestima e fortalece o protagonismo de cada um deles. Nada disso seria possível sem o trabalho incansável dos profissionais que enxergam o verdadeiro potencial dessas pessoas, acreditam nas suas habilidades e caminham juntos na construção de uma Macaé mais inclusiva.


Presença na Copa
Com uma delegação formada por 11 atletas e um técnico, a equipe do CESMA superou muitos desafios até chegar à Copa do Brasil de Futsal de Surdos. Mantida pelas mensalidades dos próprios atletas, a participação em uma competição nacional deste nível já representava, por si só, uma grande vitória. Apesar da derrota por 4 a 1, o principal objetivo foi alcançado: proporcionar aos atletas a oportunidade de participar de um campeonato nacional, conhecer outras equipes e vivenciar a experiência de uma competição de alto nível.


“Para os nossos atletas, essa foi a primeira participação em uma competição nacional. Eu tive a oportunidade de disputar o campeonato anteriormente e fui campeão em 2018, mas, desta vez, o mais importante era proporcionar aos nossos jogadores a oportunidade de conhecer equipes de diferentes estados, vivenciar o ambiente de uma competição nacional e entender a dimensão do futsal de surdos no Brasil”, explica o técnico do time, André Conceição de Carvalho.



A equipe encontrou um grande obstáculo logo no início da competição: sofreu um W.O. por causa do uniforme, que era antigo e não tinha o número na parte da frente.


“Não tivemos condições financeiras de confeccionar um novo. Mas o que aconteceu depois foi emocionante. Nossos próprios atletas se mobilizaram, correram atrás e pagaram para colocar os números nos uniformes. Eles queriam estar em quadra. Queriam jogar. Queriam representar nossa equipe. E isso, para mim, vale muito mais do que qualquer resultado”, emociona-se André.


Retorno triunfal
Regularizada a questão do uniforme, a equipe voltou à competição e disputou o segundo jogo. Para os atletas, a partida representou a oportunidade de finalmente entrar em quadra, sentir o clima de um campeonato nacional, enfrentar uma equipe de alto nível e adquirir experiência.


“Saímos de quadra com a sensação de dever cumprido. Finalmente, pudemos jogar, sentir o clima da competição, enfrentar uma equipe de alto nível e, principalmente, adquirir experiência. Talvez, para alguns, uma derrota por 4 a 1 ou um W.O. sejam apenas números. Para nós, representam superação, aprendizado, coragem e a realização de um sonho”, afirma.



Segundo o técnico, o objetivo foi alcançado: os atletas tiveram a oportunidade de viver a experiência, conhecer novas equipes, aprender e identificar os pontos que precisam ser aprimorados para as próximas competições.


“Voltamos para casa com muito mais do que um resultado. Voltamos com aprendizado, histórias, amizades e a certeza de que estamos no caminho certo. 2026 foi o nosso primeiro passo. Em 2027, queremos voltar mais preparados, mais fortes e com o objetivo de conquistar uma posição ainda melhor. Se alguma empresa quiser nos ajudar na confecção, sua marca vai estampar o novo uniforme, que deverá ser produzido dentro dos padrões da Confederação Brasileira de Desportos de Surdos (CBDS) e da Federação Desportiva dos Surdos do Estado do Rio de Janeiro”, conclui André.


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