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Macaé estuda implantação do projeto “Garrafa Zero” para reduzir descarte de plástico

06/03/2026 16:01:00 - Jornalista: Carla Cardoso

A ideia é implantar um sistema municipal de logística reversa

Em Macaé, por ano, quatro milhões de garrafas de plástico são descartadas inadequadamente, segundo a Secretaria Municipal de Ambiente, Sustentabilidade e Clima. A fim de buscar medidas para mudar essa realidade, está sendo estudada a implantação do projeto “Macaé Garrafa Zero”. A proposta foi estruturada na Formação Técnica em Projetos Sustentáveis para Municípios, promovida pela Catálise em parceria com o Banco do Brasil, como parte da agenda preparatória para a COP30.

A iniciativa foi formalizada pelo Memorando nº 111/2026 da secretaria, que determinou a abertura de Estudo Técnico Preliminar (ETP) para análise da viabilidade administrativa, técnica e jurídica do projeto, que busca coletar contribuições técnicas, soluções inovadoras e subsídios de mercado que possam aperfeiçoar a modelagem da proposta.

Promover a transição estrutural da gestão de resíduos no município, convertendo passivos ambientais em ativos econômicos por meio de um sistema municipal de logística reversa de alta performance, apoiado em tecnologia auditável e incentivo econômico direto ao cidadão, é o objetivo central do projeto.

A ideia é implantar um sistema municipal de logística reversa, composto por pontos automatizados com máquinas coletoras de vasilhames, pontos de entrega voluntária (PEVs) operados em parceria com cooperativas e um sistema de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). Nesse modelo, os cidadãos poderão acumular créditos digitais ao devolver garrafas plásticas e de vidro, com possibilidade de resgate via PIX a partir de R$ 5 acumulados.

A coordenadora de Assuntos Institucionais, Gestão de Riscos e Compliance da Secretaria Municipal de Ambiente, Taty Porto, afirma que Macaé enfrenta hoje um grande problema de descarte inadequado de garrafas, o que gera diminuição da vida útil do aterro, poluição ambiental e desperdício de recursos públicos.

“O projeto Macaé Garrafa Zero se baseia no modelo que já acontece na Europa e nos Estados Unidos, onde o cidadão entrega sua garrafinha e deixa de descartá-la incorretamente. Ao entregar essa garrafinha nas máquinas coletoras, ele recebe de imediato um valor, que gera renda, cidadania e reintroduz na economia circular aquela garrafa que antes estava poluindo o meio ambiente”, explica.

Objetivos do projeto

Segundo o memorando, os objetivos estruturais do projeto são a modernização da gestão de resíduos sólidos no município e a transformação de passivos ambientais em ativos econômicos, por meio de um sistema de logística reversa apoiado em tecnologia auditável e incentivo econômico direto ao cidadão.

A proposta também prevê a criação de um ecossistema de economia circular com inclusão produtiva de cooperativas, contribuindo para a resiliência sanitária, redução da pressão sobre ecossistemas aquáticos e consolidação de práticas sustentáveis alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

O programa estrutura um ecossistema de economia circular com inclusão produtiva de cooperativas, projetando: a) Resiliência sanitária (ODS 11); b) Economia estimada de aproximadamente 1,2% da capacidade anual do aterro; c) Redução da pressão sobre ecossistemas aquáticos (ODS 14); d) Consolidação da cultura municipal de economia circular (ODS 12).

Os resultados esperados em longo prazo são: a) Benefício potencial a aproximadamente 15% da população (40 mil cidadãos); b) Interceptação estimada de até 6,6 milhões de garrafas por ano; c) Potencial de distribuição de até R$ 1.100.000 anuais em PSA, observado o limite orçamentário; d) Implantação projetada de até 30 Unidades Autônomas de Recebimento (UARs) e 10 Pontos de Entrega Voluntária (PEVs); e) Mitigação estimada de 2.600 toneladas de CO₂e por ano.