O Dia Nacional da Cultura e a programação do Novembro Negro 2026 da Prefeitura de Macaé foram celebrados, nesta quinta-feira (5), na sede do Sindipetro-NF, com uma apresentação marcada pela arte, ancestralidade e valorização da cultura afro-brasileira. O destaque foi o espetáculo Recital Preto com Tributo a Clara Nunes, apresentado pelo Coletivo Artístico Clara, que proporcionou ao público uma experiência cultural que reuniu música, poesia, dança, teatro e diferentes manifestações da cultura popular brasileira.
A iniciativa é da Prefeitura de Macaé, por meio da Secretaria Municipal de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEMPIR), em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura, o Sindipetro-NF, a Moreno Produções Culturais e o Coletivo Artístico Clara.
O público acompanhou uma apresentação dinâmica, com figurinos coloridos, canto, dança, tambores e referências a diferentes expressões culturais, como capoeira, samba e funk. Antes da abertura, foi realizada saudação ao público com gastronomia típica.
A programação do evento proporcionou ao público momentos marcantes de interação com a cultura popular, unindo ambientação temática, gravuras, experiências sensoriais e fortes referências às tradições afro-brasileiras. Além disso, os presentes puderam cantar, aplaudir e prestigiar uma rica composição artística que uniu músicos da história do samba à poesia de Conceição de Maria e Diva Marques. Essa celebração da identidade, da representatividade e do protagonismo das mulheres negras também contou com uma emocionante homenagem a cantoras locais de Macaé, como Andrea Martins, Jo Wilme, Kynnie, Amanda Amado e Elen Chaffin. Durante a abertura, o secretário municipal de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Anderson Kayron, destacou a importância de iniciativas que promovam o reconhecimento da história e da contribuição da população negra, ressaltando o papel da cultura como instrumento de transformação social.
“Promover a igualdade racial também significa garantir espaço e visibilidade para a cultura negra, para os nossos artistas e para as manifestações que representam a nossa ancestralidade. O Recital Preto é uma oportunidade de reconhecer essa história, valorizar nossas raízes e reafirmar que a cultura afro-brasileira precisa estar presente e ser respeitada em todos os espaços. Agradecemos aos parceiros que tornaram essa iniciativa possível e ao público que prestigia e fortalece essa construção coletiva”.
A apresentação homenageou Clara Nunes, artista reconhecida por sua contribuição à música popular brasileira e pela valorização dos ritmos e das tradições de matriz africana. Com 14 integrantes, o Coletivo Artístico Clara conduziu o público por uma celebração cênico-musical que entrelaçou poesias, performances, música e teatro, destacando a força feminina e a riqueza das raízes afrodescendentes.
A narrativa acontece no simbólico “Quintal das Mulheres”, espaço de afeto, escuta e criação, onde mulheres se encontram para compartilhar suas produções artísticas. Na edição dedicada ao tema “Preto”, as artistas apresentam histórias, ritmos e versos que resgatam a memória e a potência da matriz africana. O momento culminante acontece com a visita simbólica de Clara Nunes, representando o encontro entre o plano terreno e o transcendental. O público acompanhou uma apresentação dinâmica, com figurinos coloridos, canto, dança, tambores e referências a diferentes expressões culturais, como capoeira, samba e funk.
RECONHECIMENTO DO PÚBLICO - A programação foi elogiada pela plateia. Entre os participantes estava Andrea Xavier, que acompanhou a apresentação ao lado do marido, Alex. Ela destacou a qualidade do espetáculo e a importância de iniciativas culturais que promovem a valorização da história e da identidade negra.
“Foi uma apresentação maravilhosa, emocionante e muito rica culturalmente. É muito importante ver a nossa história, a nossa ancestralidade e a cultura afro-brasileira sendo valorizadas dessa maneira. Parabenizo toda a equipe, as artistas e a Prefeitura pela iniciativa. Foi um momento especial, que merece ser reconhecido e prestigiado”, salientou Andrea.
A realização também contou com o acolhimento do Sindipetro-NF, instituição que mantém uma trajetória de atuação junto aos trabalhadores e à sociedade. O espaço cultural tem uma história ligada à mobilização dos trabalhadores, com destaque para a construção do teatro durante o movimento grevista de 1995, consolidando-se como ambiente de convivência, cultura e participação social.
Elenco e ficha técnica
Roberta Pimentel, Cássia Gomes, Manon Moreno, Lane, Maria Helena Caetana, Janaina Mendes, Juju Siqueira, Rute Pereira, Thayane Vilar e Fábia Shufi, no papel de Clara Nunes.
· Direção geral: Janaina Mendes
· Direção musical: Rute Pereira
· Direção artística: Fábia Shufi
· Dramaturgia: Cássia Gomes e Janaina Mendes
· Artes visuais: Roberta Pimentel
· Produção: Júnior Moreno / Moreno Produções Culturais
NOVEMBRO NEGRO 2026
Macaé terá, durante todo o mês de novembro, uma programação especial dedicada à Consciência Negra e à promoção da igualdade racial. Coordenado pela Secretaria Municipal de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEMPIR), o calendário reúne ações de mobilização, atividades culturais, educativas, formativas e de participação social, com o objetivo de ampliar o debate sobre relações raciais, direitos, oportunidades e cidadania.
A edição deste ano ganha um significado ainda mais importante com a instituição oficial do Novembro Negro no calendário municipal, por meio da Lei Municipal nº 5.546/2026, sancionada pelo prefeito Welberth Rezende e de autoria da vereadora Liomar Queiroz. A legislação fortalece a realização de iniciativas voltadas à promoção da igualdade racial, à valorização da história e das culturas afro-brasileiras, ao reconhecimento do protagonismo da população negra e ao enfrentamento do racismo e das diferentes formas de discriminação. A proposta é contribuir para que a temática da igualdade racial esteja presente de forma permanente nas políticas públicas e nos diferentes espaços da cidade. Vale lembrar, que o Novembro Negro busca, ainda, reconhecer e valorizar a ancestralidade e as contribuições da população negra para a formação social, cultural e econômica de Macaé e do país, estimulando a construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e antirracista.