
Foto: Moisés Bruno
Saúde mental foi pauta de debate nesta quarta-feira
O debate sobre saúde mental ganhou espaço nesta quarta-feira (23), em Macaé, durante o seminário “Atenção Psicossocial e Interseccionalidades”, realizado no auditório do Sindipetro-NF. A programação integrou as ações do Setembro Amarelo e teve como um dos principais temas a apresentação de dados do Censo Psicossocial dos Usuários dos Serviços de Saúde Mental do Estado do Rio de Janeiro, ampliando a discussão sobre o perfil dos usuários, o acesso aos serviços e os desafios da rede de atenção psicossocial.
A iniciativa reuniu profissionais da rede de saúde mental, familiares, usuários dos serviços, trabalhadores da assistência social, estudantes, pesquisadores e integrantes de movimentos sociais. O encontro buscou fortalecer o diálogo entre diferentes setores envolvidos no cuidado em saúde mental e destacar a importância de uma atenção que considere as características e as necessidades de cada pessoa e território.
O Censo Psicossocial dos Usuários dos Serviços de Saúde Mental do Estado do Rio de Janeiro é uma pesquisa realizada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), por meio da Escola de Serviço Social, em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES/RJ). O estudo, coordenado pela professora Rachel Gouveia Passos, reúne informações sobre aspectos sociais, demográficos e relacionados ao atendimento dos usuários dos serviços de saúde mental. O relatório técnico foi publicado pela UFRJ no inicio deste ano.
Durante o seminário, foram apresentados dados relacionados à realidade de Macaé, contribuindo para uma reflexão sobre o perfil dos usuários atendidos e sobre a necessidade de aprimorar continuamente as políticas públicas de saúde mental no município.A iniciativa é uma ação conjunta da Escola de Serviço Social da UFRJ (ESS/UFRJ), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do coletivo Luta Antimanicomial e Feminismos com apoio da Secretaria de Saúde da Prefeitura de Macaé, por meio do Núcleo de Saúde Mental. Vale lembrar, que o projeto do censo também conta com fomento do CNPq, CAPES e FAPERJ.
Dados de Macaé - A residente de Saúde Mental da UFRJ, Thaiane Teixeira acompanhada pela graduanda de Serviço Social da UFRJ, Gabriela Evaristo , destacou que o levantamento permite observar aspectos sobre os usuários da rede.
“Hoje estamos apresentando alguns desdobramentos do próprio Censo, que já foi publicado. Em relação a Macaé, identificamos que há dificuldade no preenchimento e na identificação do quesito raça/cor. Com isso, 46% da população atendida na Rede de Atenção Psicossocial do município não teve esse dado identificado no levantamento. Esse resultado chama a atenção para a importância de qualificar cada vez mais as informações produzidas pelos serviços”, ressaltou.
“Um dos pontos que observamos é que muitos usuários acompanhados pela Estratégia de Saúde da Família não necessariamente procuram ou conhecem os equipamentos específicos de saúde mental. Por isso, é fundamental fortalecer a articulação entre a atenção básica e a rede de atenção psicossocial, ampliando as possibilidades de identificação, acolhimento e acompanhamento das pessoas que precisam de cuidado”, pontuou.
“Este primeiro Censo Psicossocial do Estado é de suma importância para conhecermos melhor a realidade das pessoas atendidas pelos serviços de saúde mental. O Núcleo de Saúde Mental de Macaé contribuiu com a pesquisa por meio da participação em oficinas realizadas no espaço e também com a indicação de usuários para levantamentos específicos. Esse trabalho fortalece a compreensão sobre a Rede de Atenção Psicossocial e ajuda a pensar estratégias de cuidado cada vez mais articuladas com as necessidades dos usuários”, afirmou.
“A pasta está à disposição. Este mapeamento está sendo importante. Precisamos lembrar que os negros e pardo não estão visíveis apenas no mês de novembro. Temos uma nova sede à disposição da população para tratar de políticas públicas como a saúde da população negra”, citou.