
Cinema Comentado mergulha na vida do poeta nesta terça (27), às 19h
“Arqueologia do Poeta” (2019) é o documentário que será exibido e debatido nesta terça-feira (27), às 19h, durante o Cinema Comentado de outubro, no Solar dos Mellos – Museu da Cidade de Macaé. Promovido pela Prefeitura de Macaé, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, o encontro encerra a programação do mês dedicada à poesia, convidando o público a conhecer mais de perto a trajetória, o pensamento e a criação de um dos grandes nomes da literatura brasileira. A entrada é franca.
Com classificação indicativa de 12 anos, o filme revisita a vida e a obra de Ferreira Gullar, poeta e intelectual cuja produção marcou a literatura e o pensamento político brasileiro. Construída a partir da amizade de décadas entre o diretor Silvio Tendler e o poeta, a obra reúne entrevistas registradas em diferentes momentos da vida de Gullar, revelando suas reflexões sobre a própria trajetória, sua visão de mundo e o processo de criação artística.
O documentário também apresenta leituras de poemas realizadas por personalidades como Fernanda Montenegro, Maria Bethânia e Eduardo Galeano, ampliando as possibilidades de encontro do público com a força e a sensibilidade da palavra poética.
“Este documentário é feito por uma pessoa que era muito amiga do Gullar: Silvio Tendler, um dos nossos maiores documentaristas políticos, um cara excepcional. Quase toda a obra dele está no YouTube, no canal da Caliban Filmes”, explica Gerson Dudus, organizador do evento.
“Ferreira Gullar é um dos nossos imensos poetas contemporâneos e um dos que se notabilizaram por sua poesia política. Foi líder comunista, preso, torturado e exilado. Seu testamento literário é o Poema Sujo, que completa 50 anos em 2026. Vou ler alguns trechos, porque o poema tem mais de 90 páginas”, destaca.
“Em 1975, Gullar estava na Argentina e achava que seria capturado pela ditadura de lá e entregue aos ditadores aqui no Brasil, e que ia morrer. Então, escreveu o Poema Sujo, que retrata esse ambiente e essa sensação”, conta Dudus.
“Então, as pessoas tiveram contato com o poema pela voz do poeta antes de pelo livro. Acho isso importante e interessante: o modo como as pessoas se conectam com a poesia”, ressalta Dudus.