Congresso reforça importância da doação de órgãos e tecidos
Evento reúne profissionais da saúde, familiares e especialistas para ampliar a conscientização sobre a doação e os transplantes
O I Congresso Municipal de Conscientização de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes segue nesta terça-feira (29), no auditório da Câmara Municipal de Macaé. Promovido pela equipe de Doação de Órgãos para Transplante (e-DOT), da Secretaria Municipal de Saúde, o evento começou na manhã desta segunda-feira (28) e integra as ações do Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a importância da doação de órgãos e tecidos.
Durante dois dias, profissionais da saúde, familiares e convidados participam de palestras, rodas de conversa e momentos de orientação sobre o processo de doação e transplante. O objetivo é ampliar o conhecimento da população e reforçar a importância de conversar com a família sobre a decisão de ser doador.
Na abertura do congresso, a secretária de Saúde, Simone Sales, destacou o trabalho desenvolvido no Hospital Público de Macaé (HPM) e a importância da informação para transformar a percepção da sociedade sobre a doação. “Serão dois dias de congresso voltados para o Setembro Verde, que é o mês de conscientização da importância da doação de órgãos e tecidos. Nós temos no HPM o setor e-DOT, que é o setor de captação, e também profissionais que, nesse momento de dor dos familiares, conversam, explicam e levam orientação.”
Segundo Simone, o município pretende ampliar as ações de conscientização. “Quanto mais informação chega às pessoas, com certeza mais vidas serão salvas por meio da doação de órgãos”, ressaltou.
A coordenadora da e-DOT, enfermeira Waneska Madeira, destacou que o principal objetivo da campanha é estimular o diálogo dentro das famílias. Com o tema “Doar é transformar uma despedida em novos começos”, o congresso busca mostrar que a decisão de doar pode representar uma nova oportunidade para pessoas que aguardam por um transplante.
Para a coordenadora, falar antecipadamente sobre o assunto pode facilitar a decisão dos familiares em um momento de perda. “É importante que você converse com a sua família, que fale com ela a intenção e a vontade de ser um doador. Já é um momento de dor, um momento de perda, e a família ainda ter que decidir se era uma vontade do seu familiar. Quando a pessoa deixa isso muito claro, fica mais fácil para a família poder decidir”, explicou.
Segundo ela, a expectativa é que sejam realizadas ações mensais de conscientização junto à comunidade, por meio da rede básica de saúde, culminando em uma mobilização maior durante o Setembro Verde.
A diretora-geral do HPM, Cristielle Mosqueira, também destacou a importância de levar o debate para toda a rede municipal de saúde e agradeceu a presença dos profissionais, familiares e representantes de outras unidades. Ela ainda acrescentou a presença de familiares no congresso, reconhecendo a sensibilidade do momento e destacando que a participação deles reforça a importância da iniciativa.
Também participaram da mesa de abertura o coordenador de Enfermagem da Secretaria de Saúde, Vinícius Correa e a coordenadora do Núcleo de Educação Permanente em Saúde de Macaé (Neps), Eliane Araujo.
Homenagem
A programação do congresso também foi marcada por uma homenagem a mulheres que contribuíram para a construção da história da doação de órgãos em Macaé. Receberam o reconhecimento Maria do Carmo Malatesta, Paula Fernandes e Denise Neto.
Representando as homenageadas, Denise Neto, atual ouvidora-geral do município, relembrou os primeiros anos da então Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT).
Segundo Denise, foram 14 anos de trabalho dedicados à implantação e consolidação da comissão. “Durante 14 anos conseguimos implantar a CIHDOTT com muita dedicação, mesmo com pouca estrutura. Fomos muito mais do que uma comissão. Construímos uma história de acolhimento, solidariedade, compromisso e, acima de tudo, amor pela vida”, lembrou.
Ela lembrou ainda que, no início, a equipe utilizava o espaço da Ouvidoria. “Foi naquele espaço que recebemos famílias que chegavam diante de uma das situações mais dolorosas de suas vidas. Ali, muitas vezes, não havia grandes recursos, mas nunca faltava um coração disposto a ouvir, acolher e oferecer um pouco de conforto a quem precisava”, pontuou, acrescentando que aquele espaço acabou se transformando em um ambiente de escuta e esperança.
Com palestras, debates e homenagens, o congresso segue na terça-feira (29), e reforça a importância de ampliar o diálogo sobre a doação de órgãos.
Programação
29 de setembro
9h – FORRÓ PELA VIDA
Momento de integração, descontração e celebração da vida.
9h20 - PALESTRA – MORTE ENCEFÁLICA
Da suspeita ao diagnóstico.
Com Dra. Raphaela Ghaiger
10h20 – PALESTRA – GASOMETRIA E TESTE DE APNEIA NO PACIENTE NEUROCRÍTICO
Abordagem prática e discussão dos principais cuidados.
Com Rossana Petraglia – Fisioterapeuta Intensivista
11h20 – PALESTRA – ENTREVISTA FAMILIAR
Quando a técnica encontra o humano. Simulação de entrevista familiar.
Com Equipe hospitalar
12h20 – COFFEE BREAK
Conexões que fortalecem a vida.
12h50 – PALESTRA – DOAÇÃO DE TECIDOS
Quando a doação continua transformando vidas.
Com Enf. Michele Guedes
13h50 – MOMENTO AUDIOVISUAL – DOADOR AO RECEPTOR
O caminho de um órgão: captação → acondicionamento → transporte → transplante.
Com Enf. Michele Guedes
14h10 – PALESTRA – ESPIRITUALIDADE, LUTO E ACOLHIMENTO
Quando a técnica encontra o sentido humano da doação.
Com Cristiane Néo – Coordenadora do NAER
14h40 – ENCERRAMENTO








